Blog do Nides

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Segunda-feira, Agosto 22, 2005


O CONTADOR DE HISTÓRIAS

No tempo em que eu era menor do que o mastro da bandeira da UNE que carregava, enchia-me um orgulho bobinho de uma vontade brotada nos garimpos de diamantes do Poxoréo ( que agora se escreve Poxoréu, tá?!). Era a coisa mais incompreensível que eu poderia fazer no conceito de muitos amigos de pensão, lá em Vitória. Era um gesto de esperança que tinha, na verdade, se instalado no tempo de UESP, os estudantes secundaristas de Poxoréu. Pois bem: Lula, na cabeça desta juventude bandalheira que pintava a cara, era uma possibilidade de ruptura com aquilo que nos fazia ir para as ruas gritar utopias. Deu vontade de voltar pra casa, quando FHC adiou aquela vontade de ver o PT no poder. E aquele desencanto foi suportado com muito cinema. Era cinema e xadrez numa vibração maior do que o mastro da bandeira da UNE. E deixei o movimento estudantil, deixei de fazer teatro, apesar de ter sido premiado no Festival de Vassouras(RJ) e Anápolis (GO), deixei as utopias de mudança e fui á luta. Absorvi saudades, ignorei distâncias, embolei lendas para seguir adiante nisto que um dia fui cair na marra de achar bom de viver, como um homem livre sem paradeiro, cheio de amores e histórias. Fundei um clube de xadrez nesta época. O Clube Metropolitano de Xadrez dos bons tempos de Centro de Vivência. Foi praticando este vício maravilhoso que analisei o diagrama geral das conseqüências e decidi empreender mais na cultura. Elaborei festivais de cinema e música (lembram do Festival Universitário Independente ¿ FUI?), fiquei materializando idéias até chegar o momento de partir para outro lugar para estudar mais. O Rio de Janeiro foi o próximo destino, depois que Austrália e Espanha também foram rotas abortadas. A mudança para o Rio coincidiu com o início do governo Lula. Aquele pelo qual eu tinha batido latas desde o tempo em que era seminarista em Campo Grande(MS). O Rio lavou minha alma. Cresci anos em meses. Principalmente ao cair na realidade de que nada seria mudado, nada seria mais necessário mudar: somos poder. Mais cinema e mais xadrez para passar pela turbulência. O posto 6 de Copacabana e o Estação Botafogo foram points desta cachaça que minha alma pede. Agora, lavado pelo desencanto, mas não desencantado, parto para a política, de fato. Deixo de esperar que façam e parto a fazer o que entendo necessário para alcançar pelo menos um pouco das muitas utopias que um dia me levaram pelo mundo. Vãs filosofias, mas pelo menos agora não carrego bandeiras de ninguém. Somente as minhas: ¿o amor é meu Deus e eu sou seu profeta¿, como diria o poeta.

postado por: NIDES FREITAS 4:18 PM



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